Quem chega a Atibaia pela Fernão Dias percebe logo: lá no alto, acima da mancha de telhados, existe uma rocha clara e lisa que parece ter sido colocada ali de propósito. É a Pedra Grande, uma laje de granito no topo da Serra do Itapetinga, a 1.418 metros de altitude. Para muita gente da cidade ela funciona como bússola. Para quem vem de fora, costuma ser o primeiro motivo da viagem.
A subida não é complicada, mas também não é um passeio de shopping. Vale entender como a área funciona antes de colocar o tênis no porta-malas.
O que é a Pedra Grande e por que ela é protegida
A Pedra Grande é o ponto mais visitado de uma unidade de conservação estadual, o Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, criado pelo Decreto nº 55.662, de 30 de março de 2010. A área tem 3.297 hectares, espalhados por Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Mairiporã e Nazaré Paulista, e é administrada pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo.
A proteção é mais antiga que o decreto. Em 6 de julho de 1983, o CONDEPHAAT tombou a Serra do Itapetinga, com o maciço da Pedra Grande, para segurar o avanço de loteamentos sobre a encosta virada para a cidade. O mesmo decreto de 2010 criou o vizinho Parque Estadual do Itapetinga, e os dois fazem parte do chamado Contínuo da Cantareira, um corredor de Mata Atlântica que chega até a Grande São Paulo.
A laje em si tem cerca de 200 mil metros quadrados. É um chão de pedra nua, com blocos maiores espalhados e vegetação baixa nas fendas. No alto fica também a Pedra Partida, um bloco rachado ao meio que virou cenário de foto.
Como chegar à Pedra Grande
Há dois jeitos de subir, e a escolha muda bastante o passeio.
De carro, pela estrada de terra
O acesso de carro começa na altura do km 65 da Rodovia Dom Pedro I. Dali são cerca de 10 quilômetros de estrada de terra, sinuosa e íngreme em vários trechos. Carro de passeio sobe, mas com calma: em dia de chuva o barro e as valetas complicam, e na descida o freio trabalha muito. A estrada termina perto do topo, e o último trecho até a laje se faz a pé.
Em feriados prolongados a prefeitura costuma montar operação especial, com horário de abertura e fechamento da estrada definido para o dia. No 1º de maio, por exemplo, já houve controle de entrada e prazo para o retorno. Se a ideia é subir num feriado, procure o aviso da prefeitura na semana.
A pé, pelas trilhas
Para quem prefere chegar suando, três trilhas saem do bairro do Parque Arco-Íris, perto da área de pouso do voo livre:
- Trilha da Minha Deusa, a oficial e a mais usada, com cerca de 2,4 km de extensão;
- Trilha da Mangueira, com cerca de 2,6 km;
- Trilha dos Monges, a mais longa das três, com uns 3 km.
São subidas fortes, com trechos de pedra e terra solta. O guia oficial de áreas protegidas do Estado classifica a Minha Deusa como de dificuldade moderada e autoguiada, e calcula de 3 horas a 3h30 para o percurso completo, de 4 a 5 km somando ida e volta. Ir em grupo e avisar alguém do horário de volta é o mínimo.
O que dá para ver lá de cima
Em dia limpo, a vista é o grande prêmio. A Secretaria de Turismo lista Bragança Paulista, Piracaia, Bom Jesus dos Perdões, Jundiaí, Nazaré Paulista e São José dos Campos no horizonte, além de picos conhecidos como o Jaraguá, na capital, a Serra do Japi, o Pico do Lopo e o Pico do Selado, já perto de Monte Verde. Logo abaixo, Atibaia inteira se desenha: o centro, a mancha verde do Parque Edmundo Zanoni, os bairros que sobem pela serra.
O outro espetáculo é o céu. A rampa de decolagem fica na própria laje, e nos dias de vento bom ela vira uma pista de parapentes e asas-deltas. Se quiser entender como funciona o salto duplo e onde se pousa, a gente explica no texto sobre voo livre em Atibaia.
Regras: o que pode e o que não pode
Por ser unidade de conservação, a Pedra Grande tem regras que valem para todo mundo:
- Acampar é proibido, tanto na laje quanto nas trilhas e na estrada de acesso. Não existe pernoite autorizado.
- Animais domésticos não entram, segundo a Secretaria de Turismo.
- Não há estrutura de banheiro, lanchonete ou água no topo. O que você levar, você traz de volta.
- A entrada é gratuita.
Os horários de visita aparecem diferentes em cada fonte e já mudaram mais de uma vez. Por isso não vamos cravar números aqui. Antes de sair de casa, confira o horário vigente com a Fundação Florestal ou com a Secretaria de Turismo de Atibaia, que atende na Avenida dos Bandeirantes, 227.
Quando ir e o que levar
O inverno costuma entregar o céu mais limpo e a melhor visibilidade, com manhãs frias e ventania no alto. No verão, as tardes trazem pancadas de chuva e raios, e uma laje de granito exposta não é lugar para esperar tempestade passar. Se o céu escurecer, desça.
O fim de tarde é o horário mais disputado, por causa do pôr do sol visto do alto. A consequência é previsível: estacionamento cheio e fila na estrada em fins de semana. Quem pode ir num dia útil, ou cedo pela manhã, aproveita muito mais.
Para a bagagem, pense no básico de qualquer morro:
- água em quantidade, porque não há onde comprar lá em cima;
- agasalho corta-vento, mesmo em dia quente, já que o vento no topo surpreende;
- protetor solar e boné, porque a laje reflete o sol;
- calçado com solado firme, sobretudo para as trilhas;
- um saco para trazer o lixo de volta.
Se está montando o kit agora, dá para achar mochila, garrafa térmica e tênis de trilha usados perto de você na busca do AtiPerto.
Perguntas frequentes sobre a Pedra Grande
Precisa pagar para subir a Pedra Grande?
Não. A visita ao Monumento Natural é gratuita.
Dá para acampar na Pedra Grande?
Não. O acampamento é proibido na laje, nas trilhas e nas estradas de acesso.
Qual a altitude da Pedra Grande?
O maciço chega a 1.418 metros, contra cerca de 800 metros do centro de Atibaia.
Criança consegue subir?
De carro, sim, com atenção à beira da laje, que não tem grade. Pelas trilhas, depende do preparo: são subidas íngremes e longas para quem não está acostumado.
Para continuar o roteiro
A Pedra Grande combina bem com uma tarde no centro antigo. Dá para emendar a Igreja Matriz de São João Batista e o Centro Histórico de Atibaia no mesmo dia. E se a ideia é conhecer a cidade com olhos de morador, veja também o que se vende e se compra por aqui na página de Atibaia do AtiPerto.
Foto de capa: Ana Paula Hirama / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.