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Parque Estadual do Itapetinga, em Atibaia: a mata que protege a Pedra Grande

São mais de 10 mil hectares de Mata Atlântica entre Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Mairiporã e Nazaré Paulista. O parque estadual criado em 2010 guarda nascentes do Sistema Cantareira, onça-parda e a trilha mais conhecida da cidade.

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Serra do Itapetinga vista do alto da Pedra Grande, em Atibaia. Foto: nardo73 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
Serra do Itapetinga vista do alto da Pedra Grande, em Atibaia. Foto: nardo73 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

Todo mundo em Atibaia sabe apontar a Pedra Grande. Pouca gente sabe dizer onde termina a pedra e começa o parque. A laje de granito que virou cartão-postal é só a parte mais visível de uma serra inteira coberta de floresta, e essa floresta tem nome, decreto e guarda própria: é o Parque Estadual do Itapetinga.

Criado em 2010, ele é bem mais extenso que o monumento natural vizinho e, para quem gosta de mato, mais interessante também. Só que não é um parque de portão, catraca e lanchonete. A visita pede um pouco de planejamento.

O que é o Parque Estadual do Itapetinga

O parque nasceu com o Decreto nº 55.662, de 30 de março de 2010, o mesmo que criou o Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, o Parque Estadual de Itaberaba e a Floresta Estadual de Guarulhos. Segundo o Guia de Áreas Protegidas do governo paulista, são cerca de 10.190 hectares, distribuídos por Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Mairiporã e Nazaré Paulista. A gestão é da Fundação Florestal do Estado de São Paulo.

Junto com o Parque Estadual da Cantareira, essas áreas formam o que se chama de Contínuo Cantareira: um mosaico de unidades de conservação que mantém conectada a floresta entre a região de Atibaia e a zona norte da capital. Para a fauna, essa ligação é tudo. Um bicho que precisa de território grande, como a onça-parda, não sobrevive em fragmentos isolados.

O nome vem do tupi-guarani e quer dizer "pedra branca", referência às rochas de granito da serra. A maior delas, claro, é a laje da Pedra Grande, na divisa entre Atibaia e Bom Jesus dos Perdões.

Por que essa serra importa para quem mora na região

A Serra do Itapetinga é tombada pelo CONDEPHAAT desde 1983, numa época em que os loteamentos começavam a subir a encosta voltada para Atibaia. O tombamento segurou parte dessa expansão. O parque, quase três décadas depois, transformou a proteção paisagística em proteção ambiental de fato.

Há dois motivos práticos para isso. O primeiro é a água: as matas do Itapetinga protegem nascentes de bacias que abastecem o Sistema Cantareira, o mesmo que leva água a milhões de pessoas na Grande São Paulo. O segundo é a biodiversidade. A lista de espécies ameaçadas citadas pelo governo do Estado inclui onça-parda, jaguatirica, gato-maracajá, irara, mão-pelada, cuíca e a rã-das-corredeiras, além de árvores como juçara, jacarandá, copaíba e cedro.

A prefeitura também trabalha nas bordas. Ela já plantou 350 mudas nativas no San Fernando Valley, área que faz parte do caminho de acesso ao parque e ao monumento, e pediu aos visitantes que fiquem nas trilhas existentes, não usem motos e não deixem lixo.

Como visitar o Parque Estadual do Itapetinga

Endereço e agendamento

O endereço de visitação informado pelo Estado é a Estrada Municipal Juca Sanches, 400, no Jardim Brogota, em Atibaia, a cerca de 50 km de São Paulo. A visita exige agendamento prévio, pelo telefone (11) 4402-3533 ou pelo e-mail pe.itapetinga@fflorestal.sp.gov.br.

O mesmo guia oficial informa funcionamento de terça a domingo, das 8h às 16h, com entrada gratuita. Como horários de unidades de conservação mudam com frequência, confirme no contato acima antes de sair.

Regras básicas

As restrições publicadas pelo Estado são diretas:

  • é proibido jogar lixo;
  • é proibido entrar com animais domésticos;
  • é proibido fazer fogueira.

O parque não tem estrutura de acessibilidade, segundo o próprio guia. Também não espere restaurante ou loja: leve água e lanche e traga tudo de volta.

Trilhas e atrativos

A trilha oficial mais conhecida é a Trilha da Minha Deusa, que leva ao topo da Pedra Grande. O Estado a descreve como autoguiada e de dificuldade moderada, com 4 a 5 km e algo entre 3 horas e 3h30 de percurso. Ela começa no bairro do Parque Arco-Íris, perto da área de pouso do voo livre, e sobe sem muita trégua.

Além dela, o guia oficial menciona um circuito de atrativos do parque e do monumento, com rios para contemplação, cachoeiras e observação de fauna. Aplicativos de trilha registram dezenas de percursos dentro da área do parque, mas nem todos são caminhos oficiais. Antes de sair do traçado conhecido, vale conversar com a equipe da Fundação Florestal, que conhece o estado de cada caminho e as áreas onde a passagem não é permitida.

Se o seu interesse é ver bicho, chegue cedo. Aves e mamíferos ficam mais ativos nas primeiras horas da manhã, e o movimento de pessoas na serra cresce ao longo do dia, especialmente nos fins de semana.

Melhor época

Entre maio e setembro, os dias costumam ser secos e de céu limpo, o que ajuda tanto nas trilhas quanto na vista do alto. As manhãs, porém, podem ser bem frias na serra. No verão a mata fica mais exuberante e os cursos d'água mais cheios, mas as chuvas de fim de tarde deixam as trilhas escorregadias. Planeje sair cedo e voltar antes das nuvens carregadas.

Perguntas frequentes

O Parque do Itapetinga e a Pedra Grande são a mesma coisa?

Não. São duas unidades de conservação diferentes, criadas pelo mesmo decreto em 2010 e geridas pela Fundação Florestal. A Pedra Grande é um monumento natural; o Itapetinga é um parque estadual bem maior, que cerca a serra.

Precisa pagar?

Pelas informações do Estado, a visita é gratuita, mas exige agendamento prévio.

Existe parque municipal na mesma serra?

Sim. No pé da serra fica o Parque Natural Municipal da Grota Funda, administrado pela prefeitura, com regras e agendamento próprios.

Para seguir explorando

Quem sobe a serra costuma terminar o dia olhando para o céu, literalmente: a área abriga também o Rádio Observatório do Itapetinga, um radiotelescópio que funciona desde os anos 1970. E se precisar de equipamento para a próxima caminhada, procure binóculo, bota ou mochila usados na busca do AtiPerto, ou veja tudo o que está à venda perto de você na página de Atibaia.

Foto de capa: nardo73 / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

Fontes consultadas

Redação AtiPerto · Equipe editorial

Equipe editorial do AtiPerto. Escrevemos guias de compra, venda e vida local em Atibaia e região, com base em pesquisa pública, anúncios do próprio marketplace e fontes citadas em cada texto.

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