Há lugares que a gente protege porque sempre foram bonitos. A Grota Funda é o contrário: foi protegida depois de ter sido quase toda derrubada. A área no pé da Serra do Itapetinga, em Atibaia, já foi fazenda de café e depois de carvão vegetal. A mata original sumiu quase inteira. Com o tempo, sem plantio e sem intervenção, a floresta voltou.
Hoje o Parque Natural Municipal da Grota Funda é descrito pela própria prefeitura como um dos lugares mais preservados da serra. E justamente por isso a visita é controlada: só em fins de semana e feriados, com agendamento, e para no máximo 30 pessoas por dia.
Da fazenda ao parque: um pouco de história
A proteção começou em 1988, quando a Lei Municipal nº 2.293, de 8 de setembro, criou ali o Parque Florestal do Itapetinga. Durante quase três décadas o nome ficou esse. Em 2017 uma lei complementar reenquadrou a área como Parque Natural Municipal, categoria prevista no sistema nacional de unidades de conservação, e ela passou a se chamar Grota Funda. O plano de manejo, documento que diz o que pode e o que não pode ser feito em cada pedaço do parque, foi aprovado por decreto no fim de 2024.
São cerca de 263 hectares. Para ter uma ideia, é uma área dezenas de vezes maior que o Parque Edmundo Zanoni, o parque urbano mais conhecido da cidade. Só que aqui não há gramado nem pedalinho: é mata em regeneração, riachos e encosta.
A história da Grota Funda ajuda a entender a serra inteira. Boa parte da Mata Atlântica do interior paulista passou pelo mesmo ciclo de café, pasto e lenha. O que sobrou de floresta no Itapetinga hoje é protegido em três camadas: o parque municipal, o Parque Estadual do Itapetinga e o monumento natural da Pedra Grande.
O que tem para fazer na Grota Funda
As três trilhas
A prefeitura mantém três trilhas abertas para visitação turística e educativa:
- Trilha Gruta do Saci;
- Trilha do Lajeado;
- Trilha do Milho Vermelho.
O nome da primeira já mostra que o lugar tem histórias próprias. A do Milho Vermelho é onde foi feito o registro da foto que abre esta reportagem: um rato-d'água, roedor semiaquático que vive na beira de riachos de mata, flagrado por um fotógrafo durante a caminhada. Bicho pequeno, discreto, que só aparece onde a água está limpa e a vegetação ciliar está de pé.
Mirante, lago e barragem
Além das trilhas, o parque tem três pontos de visitação: o Centro de Apoio ao Visitante, o Mirante do Lago e a Barragem. A Secretaria de Turismo destaca também a vista ampla de Atibaia e de outras serras, que aparece em vários trechos do percurso.
O parque tem ainda uma sede institucional usada para atividades pedagógicas e científicas. É dali que sai a fiscalização da área e o combate a incêndios, problema sério nas encostas da serra durante o inverno seco.
Como agendar a visita
A regra é clara e está na página oficial da prefeitura:
- as visitas turísticas acontecem somente aos fins de semana e feriados;
- o agendamento é feito por e-mail, pelo endereço publicado na página do parque no site da prefeitura;
- o limite é de 30 visitantes por dia;
- cada visitante precisa assinar um termo de responsabilidade, enviado pela equipe depois do pedido;
- é preciso ir vestido de forma adequada para área natural.
Escolas, universidades, grupos organizados e equipes de foto e filmagem têm formulários próprios, também disponíveis na página da prefeitura. Como as vagas são poucas, vale pedir com antecedência, principalmente em feriados prolongados.
Onde fica
O acesso é pela Avenida Santana e, segundo a Secretaria de Turismo, inclui trechos de estrada de terra. A confirmação do ponto de encontro vem junto com a resposta do agendamento. Não há transporte público até a entrada, então conte com carro ou aplicativo.
Dicas para aproveitar
"Devidamente vestido", no caso de uma trilha de mata, quer dizer calça comprida, tênis ou bota com sola que segure em pedra molhada e, de preferência, camiseta de manga longa contra mosquito e galhos. Leve repelente, água e um lanche leve, e traga o lixo de volta.
O silêncio faz diferença. Com grupo pequeno e passo calmo, as chances de ver aves ou pegadas na margem dos riachos aumentam muito. Binóculo ajuda, e celular no modo silencioso também.
Sobre a época: no inverno as trilhas costumam estar mais secas e firmes, mas é também o período de maior risco de fogo na serra. No verão os riachos e a barragem tendem a ficar mais cheios, e o chão mais escorregadio. Em caso de chuva forte, confirme com a equipe se a visita está mantida.
Perguntas frequentes
Pode ir sem agendar?
Não. A prefeitura só recebe visitantes agendados, com termo de responsabilidade assinado.
Pode levar cachorro?
A página oficial não lista a regra de forma explícita. Como se trata de área de proteção integral, pergunte no momento do agendamento antes de levar qualquer animal.
A Grota Funda é a mesma coisa que a Pedra Grande?
Não. São unidades diferentes na mesma serra. A Grota Funda é municipal e fica mais abaixo; a Pedra Grande é estadual e fica no topo.
Mais para ler
Para quem gosta de natureza, a cidade oferece outras opções, como a Represa da Usina e o próprio Rio Atibaia. Está montando o kit de trilha? Procure botas, mochilas e binóculos usados na busca do AtiPerto ou navegue pelos anúncios da cidade de Atibaia.
Foto de capa: Sergiotuck / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.