O morango está no nome da festa mais famosa da cidade e no título que Atibaia estampa com orgulho: Capital Nacional do Morango. Desde 2022 isso não é só apelido. É lei federal.
Mas o título conta só o fim da história. O começo está nas famílias que chegaram do Japão, nas estufas dos bairros rurais e numa mudança de jeito de plantar que fez Atibaia virar referência.
O título
A Lei nº 14.383, de 27 de junho de 2022, tem dois artigos. O primeiro confere ao município de Atibaia o título de Capital Nacional do Morango; o segundo diz que a lei entra em vigor na data da publicação, que saiu no Diário Oficial da União no dia seguinte.
O caminho foi longo. O projeto nasceu na Câmara, de autoria do deputado Roberto Alves, e chegou ao Senado como PLC 77/2017. Segundo a Agência Senado, a Comissão de Educação aprovou a proposta em fevereiro de 2018, com relatório favorável do senador Eduardo Lopes. O plenário só votou em 2 de junho de 2022, e a sanção veio no fim daquele mês.
Atibaia não era a única candidata. Em 2018, a Agência Senado registrou que Bom Repouso, no sul de Minas, também tinha um projeto para receber título semelhante.
A Agência Senado situa o início do cultivo na cidade nos anos 1950, com a produção se expandindo rapidamente graças ao solo e ao clima. O portal D'Ponta News atribui a chegada da cultura, entre as décadas de 1950 e 1960, a imigrantes japoneses e italianos, na região ao pé da Serra da Mantiqueira.
A presença japonesa em Atibaia é mais antiga do que o morango. Segundo um levantamento sobre a imigração publicado em 2009, o primeiro imigrante japonês a se fixar no município foi Tatsuichi Watanabe, em 1928, no bairro Yara, plantando batata. Nos anos 1940 chegaram famílias como os Nishimura, Matsuoka, Nakasu, Yano, Kurosawa e Takebayashi. O levantamento conta que a comunidade enfrentou restrições durante a Segunda Guerra e cresceu depois da abertura da Fernão Dias.
O sobrenome Takebayashi, aliás, continua no mapa turístico: o Orquidário Takebayashi está no roteiro da Secretaria de Turismo e diz ter buscado nas raízes japonesas "a paciência para aguardar a floração após anos de cultivo".
Por que Atibaia se destacou
Produção
O relatório aprovado no Senado e as reportagens da época apontam Atibaia como a maior produtora de morango do estado de São Paulo. O D'Ponta News cita a safra de 2021 com cerca de três milhões de pés plantados e rendimento de 500 a 800 gramas por pé, além de variedades como Camino Real, Camarosa e San Andreas. O mesmo portal coloca Atibaia em 12º lugar entre os 410 municípios agrícolas paulistas, um sinal de que o campo continua pesando na economia de uma cidade também conhecida como destino de turismo e de moradia.
Menos agrotóxico
O diferencial mais citado, porém, não é a quantidade. Atibaia foi berço do projeto de Produção Integrada de Morango, o PIMo, da Embrapa, que busca um cultivo com menos agrotóxicos e um ecossistema mais equilibrado. Segundo a Agência Senado, o município foi o primeiro a receber a certificação e é o único de São Paulo cujos produtores participantes têm um selo de garantia do Inmetro.
Para o consumidor, vale perguntar ao produtor se ele participa do programa.
Mudas
A Agência Senado registra ainda que a cidade é um polo de produção de mudas de morango, o que significa que parte do morango cultivado em outras regiões começa em Atibaia.
Onde provar e colher
Na fonte
A Secretaria de Turismo mantém uma Rota do Morango com propriedades que recebem visitantes. Em algumas, é possível colher a fruta no pé. No Orquidário Takebayashi, por exemplo, a colheita de morango funciona só com agendamento, segundo a secretaria. Como as regras mudam de uma safra para outra, ligue antes para qualquer propriedade.
Nas feiras
Fora das propriedades, os morangos de produtores locais aparecem aos sábados na Feira de Artes, Artesanato e Gastronomia do Balneário, ao lado do Lago do Major, e, claro, na Festa de Flores e Morangos, em setembro. No ano em que a lei foi sancionada, 2022, a festa voltava à sua 40ª edição depois do intervalo da pandemia. A Agência Senado cita ainda uma segunda celebração ligada à fruta, a Festa do Morango de Atibaia e Jarinu.
Dicas para escolher
- Prefira frutas inteiras, brilhantes e sem partes moles; o morango não amadurece depois de colhido.
- Lave só na hora de comer, com o cabinho, para não encharcar.
- Comprar direto do produtor é o melhor jeito de saber de onde a fruta vem e como foi cultivada.
Perguntas frequentes
Desde quando Atibaia é Capital Nacional do Morango?
Desde a Lei federal nº 14.383, de 27 de junho de 2022.
Quem trouxe o morango para Atibaia?
As fontes apontam imigrantes, principalmente japoneses, a partir dos anos 1950. A Agência Senado situa o início da produção nessa década.
O que é o PIMo?
É a Produção Integrada de Morango, programa da Embrapa voltado a um cultivo com menos agrotóxicos. Atibaia foi a primeira cidade a receber a certificação.
Dá para colher morango no pé?
Sim, em propriedades da Rota do Morango. Em geral é preciso agendar; confirme com cada local.
Para seguir o passeio
A herança japonesa também está no Jardim Japonês do Parque das Águas. Para quem quer plantar em casa, procure mudas de morango e vasos na busca do AtiPerto ou veja os anúncios da cidade de Atibaia.
Foto de capa: Rosanetur / Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.